sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Médicos denunciam Hospital Regional de Corrente ao Ministério Público

Médicos do Hospital Regional de Corrente estiveram no Ministério Público para denunciar à Promotora de Justiça, Gilvânia Alves Viana, o atraso nos salários de todos os funcionários contratados do hospital, que não fazem parte do quadro efetivo. O Procurador Geral do município de Corrente, João Augusto Paranaguá e Lago, também acompanhou a reunião.

De acordo com o relato dos médicos, há funcionários que não recebem o salário desde o mês de setembro de 2014. “Os médicos, enfermeiros e técnicos receberam o último salário nos meses de setembro e outubro , mas os funcionários da limpeza receberam seus salários pela última vez em agosto de 2014! Temos o caso de um colega funcionário que está sendo despejado da sua residência porque há meses não paga o aluguel e todos nós contraímos dívidas. É uma situação humilhante e não há condições de continuarmos trabalhando sem perspectiva”, afirmou a Dra. Silvia Barros, médica plantonista do hospital. Os médicos afirmam que quando o diretor interino chegou ao hospital, foi assumido o compromisso de pagamento dos débitos em atraso, mas nenhum dos acordos foram cumpridos. “Todos nós colaboramos para a elaboração de uma escala de plantão, pois a direção assumiu o compromisso de que os salários atrasados seriam pagos. Na verdade fomos enganados”.

O Dr. Walter o Dr. Wilson Granjeiro colocaram ainda que se sentem inseguros para trabalhar, pois faltam diversos materiais e medicamentos no hospital, já que o pagamento de fornecedores também está em aberto. “Como podemos realizar uma cirurgia sem a garantia de que temos todos os medicamentos. Já desmarquei inúmeras cirurgias, infelizmente, mas não podemos arriscar. As pessoas podem até achar que nós, os médicos, somos ruins mas não podemos arriscar a vida das pessoas”, afirmou o Dr. Walter.

Até mesmo alimentação estaria faltando para a alimentação dos funcionários. “Hoje fizemos uma “vaquinha” e fui pessoalmente ao supermercado comprar carne para o almoço, senão a semana toda seria servido arroz com salsicha”, relatou a Dra. Fátima.

Diante da situação, os médicos declaram que irão realizar uma paralisação, já que não vem perspectiva de solução do problema. Um ofício foi entregue à promotora e outro será entregue à direção do hospital comunicando a intenção dos profissionais.

A promotora informou que no dia 16 de dezembro de 2014 o Ministério Público moveu uma Ação Cívil Pública, com pedido de liminar, para o bloqueio de R$ 8,809 milhões de reais das contas do Estado para realizar os pagamentos dos débitos em diversos hospitais do Piauí, inclusive do Hospital Regional de Corrente, mas o juiz não concedeu a liminar. “O processo continua tramitando na justiça”, colocou a promotora.

Sobre a paralisação, a Dra. Gilvânia afirmou que reconhece a legitimidade da reivindicação dos médicos, mas solicitou que os casos realmente emergenciais sejam atendidos, mantendo um mínimo de funcionários para o atendimento.

Na manhã desta sexta, a promotora irá pessoalmente até o hospital para questionar sobre qual será o posicionamento da direção e da Secretaria de Saúde com relação à paralisação.

Fonte: Portal Corrente