quinta-feira, 26 de março de 2015

Três advogados são presos em operação do Ministério Público em Corrente

Promotor Rômulo Cordão
Cordão explicou que eles utilizavam pessoas conhecidas como “coiote” para cooptar aposentados, de preferência analfabetos, pelo interior de nove municípios do Extremo Sul que tinham feito empréstimos. 
“Eles prometiam que iam cancelar esses empréstimos na Justiça, no entanto faziam outros empréstimos, depois procuravam a Justiça e pediam ao aposentado para mentir dizendo que não tinha feito e que queria anular. Só no ano passado foram R$ 1,2 milhão, lesando instituições financeiras e os próprios aposentados, já que eles também tinham uma agência financeira e faziam três quatro empréstimos no nome do mesmo aposentado que quando via no seu contracheque não recebia nada”, esclareceu o promotor. 
A quadrilha atuava em Corrente, Parnaguá, Curimatá, Cristalândia, Sebastião Barros, Riacho Frio, Monte Alegre, Gilbués e Redenção do Gurguéia. 
O promotor ressalta que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está acompanhando toda a operação, realizada pelas Polícias Militar e Civil. Segundo o promotor, os advogados presos foram identificados como Gustavo Alfredo do Val Nogueira, Henrique Marcel Mascarenhas Paranaguá e André Rocha de Sousa. Uma mulher identificada como Nalbia da Silva Ferreira também foi presa, ela se passava por advogada.
Atualizada às 8h18
Três advogados foram presos em uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira(26) em Corrente (a 900 quilômetros de Teresina). A ação coordenada pelo Ministério Público visa desarticular um esquema que lesava aposentados com fraudes processuais e estelionato que renderam à quadrilha R$ 1 milhão somente em 2014. 
De acordo com o promotor Rômulo Paulo Cordão, que coordenou a ação, a organização criminosa atuava prometendo cancelar empréstimos de aposentados, ingressando com ações no Juizado Especial Cível da Comarca de Corrente, utilizando-se de "meios ardis" para lesar as vítimas, bem como instituições financeiras.
Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandados de prisão, quatro conduções coercitivas e dez de buscas e apreensão. A Justiça determinou o bloqueio de bens e contas e quebra de sigilo bancário e fiscal de todos os envolvidos.
A operação chamada de "Serendipta" foi deflagrada após um ano e três meses de investigação, realizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Corrente-PI em parceria com o Núcleo de Inteligência da Polícia Civil do Estado do Piauí.
Os crimes envolvidos são: associação criminosa, crimes contra a Administração Pública, estelionato, fraude processual e tergiversação.
“As investigações também apontaram que o grupo criminoso atuava há mais de cinco anos em todo o extremo sul piauiense, contando, inclusive, com a participação de funcionário público do Poder Judiciário”, destacou o promotor Rômulo Cordão.
Deu-se o nome de Serendipta à operação por conta do fato de na mesma terem surgido fatos novos que, incialmente, não eram objeto de investigação, os quais culminaram na operação Captação ocorrida em 05 de outubro de 2014, que resultou na apreensão de mais de R$ 200 mil destinados à compra de votos.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já está investigando administrativamente, alguns dos advogados envolvidos. A operação contou com o apoio da Delegacia Regional de Polícia de Corrente e do 10º Batalhão de Polícia Militar. 
Nota da OAB
A respeito da prisão de quatro advogados durante a operação Serendipta, deflagrada no Município de Corrente, Sul do Estado, na manhã desta quinta-feira (26), a Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Piauí, informa que os representantes da Subseção e a Comissão de Defesa das Prerrogativas do Advogado estão acompanhando a operação, garantindo que as prerrogativas profissionais sejam resguardadas. Comunica, ainda, que o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-PI irá apurar todas as informações referentes ao caso, garantindo aos envolvidos o direito à ampla defesa e contraditório.
Diretoria da OAB-PI

 Fonte: CidadeVerde