quarta-feira, 8 de abril de 2015

Golpe do empréstimo consignado de Corrente é semelhante ao de São Raimundo Nonato

Prisão de advogados em Corrente
Os crimes de estelionato praticados contra idosos, por quatro advogados e um juiz leigo no município de Corrente, na semana passada, podem ter relação com outro golpe semelhante, ocorrido no município de São Raimundo Nonato há cinco anos e que contava com a participação de uma juíza. Naquele ano, em 2010, três promotores de justiça do município, Flávia Cordeiro, Regis Marinho e João Batista de Castro, fizeram uma representação contra a então juíza da comarca Mara Rubia, alegando seu possível envolvimento no golpe. Coincidentemente, essa mesma juiza está hoje, em Corrente.
De acordo com as investigações feitas à época, os advogados recebiam as indenizações dos idosos, que eram os autores da ação, e não lhes repassavam o dinheiro. Uma investigação do Tribunal de Justiça do Piauí apontou para o possível envolvimento da juíza do Juizado Especial no esquema de fraude, com a participação de advogados e aliciadores que atuavam no município de São Raimundo Nonato e outras cidades do sul do Estado. 
Segundo  o Portal AZ apurou, a polícia chegou ao nome da magistrada após identificar seu filho como assessor jurídico da financeira que participava do esquema de estelionato. O filho da juíza, que é advogado, chegava a participar das audiências e assinava as atas junto com a magistrada. Felipe Soares Machado representava as financeiras e prometia a indenização as vitimas. O dinheiro era depositado em sua conta para ele repassar para os idosos, o que não era feito.

Os idosos, em sua maioria analfabetos, tinham descontos em aposentadoria decorrente de empréstimos regularmente feitos por intermédio de financeiras e eram aliciados a conceder procurações a advogados, estes, em seguida, ajuizavam ações de cancelamento de empréstimo com pedido de indenização por danos morais, alegando que eram feitos sem o consentimento dos idosos.

Durante as investigações a polícia foi atrás do escritório do advogado em Teresina, já suspeitando de sua atuação no esquema, e descobriu que o local funcionava na residência da juíza Mara Rúbia em Teresina. Diante de tantas ligações, os três promotores decidiram abrir a representação contra a magistrada.

Punição

A juíza, na época, respondeu ao processo administrativo disciplinar 2012.0001.000451-2, no Tribunal de Justiça, foi condenada e punida apenas com advertência. O processo seguiu em segredo de justiça. 

O inquérito administrativo foi finalizado, mas o criminal, investigação contra a magistrada 2011.0001. 006087- 0, foi encaminhado para a Justiça e encontra-se parado. A ação também segue em segredo de justiça. No tempo que o processo ficou parado, a magistrada foi transferida para o município de Corrente, onde crimes semelhantes voltaram a ocorrer.


Fonte: Portal AZ