segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Presidente do TRE-PI compõe forró para alertar contra a compra de voto

Desembargador Edvaldo Moura compôs forró contra venda do voto (Foto: Gustavo Almeida/G1)
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), desembargador Edvaldo Pereira de Moura, resolveu usar uma outra habilidade para convencer o eleitorado piauiense a votar de forma consciente. O magistrado compôs uma música em ritmo de forró retratando a história de um eleitor que trocou o voto por vantagens e depois se arrependeu da atitude.
Denominada de "forró do eleitor consciente", a música foi gravada oficialmente pelo cantor Francis Lopes que atualmente exerce a função de deputado estadual. De acordo com o desembargador, o próprio parlamentar foi quem se colocou à disposição para gravar a música, sem nenhum custo para o Tribunal.
A música fará parte de um projeto que vem sendo desenvolvido pelo TRE do Piauí desde agosto do ano passado. A campanha, que também tem um hino de autoria do desembargador Edvaldo Moura, é chamada de Ação Justiça Eleitoral e Cidadania (AJE) e engloba uma série de atividades culturais e educativas que visam estimular o debate público acerca das noções de cidadania. Em entrevista ao G1, o presidente do TRE-PI falou sobre o gosto pela música e disse que o dom possivelmente tenha sido herdado do pai, que era violonista na cidade onde morava no interior do Piauí.
"Eu sou uma pessoa que tem bastante sensibilidade para a música. Meu pai era violonista, para mim um dos melhores do Piauí, e eu desde cedo passei a me interessar pela música. Também mexo com violão, mexo com acordeon. Em verdade eu acredito que tudo isso tenha alguma coisa a ver com meu saudoso pai e com meus parentes, que quase todos tocam instrumentos", falou o desembargador.
Segundo Edvaldo, o conteúdo do forró é voltado para a conscientização do eleitor sobre a importância do ato cívico de escolher os candidatos. O desembargador sustenta que a partir do momento que se tem um eleitor mais esclarecido sobre o que é o voto consciente, certamente se terá melhores legisladores e melhores administradores da coisa pública.
"Nós já tivemos avanços reconhecidos como conquistas importantes da Justiça Eleitoral, mas eu entendo que alguma coisa falta e essa alguma coisa está relacionada com a ação da Justiça Eleitoral e Cidadania, que está inteiramente voltada para a conscientização do eleitor, mostrando que voto não tem preço e sim consequência", falou.
Sobre o fato de um deputado ter gravado a música que condena a venda do voto e conscientiza o eleitor, o presidente da Corte Eleitoral do Piauí disse que não foi nada planejado e que o próprio parlamentar se colocou à disposição para gravar após tomar conhecimento da letra da música. "Não houve um fator especial. [Com] esse candidato eu tenho ligação de amizade e ele tomou conhecimento de que havia essa letra, viu e perguntou se podia gravar e gravou sem cobrar coisa nenhuma. E ela vai 'bombar'. Tenho a impressão que em 2016, que teremos eleição municipal, ela vai ser cantada e explorada por muita gente", explicou.
De acordo com a coordenadora da ação Justiça Eleitoral e Cidadania (AJE), Esther Castelo Branco, muita coisa ainda precisa se realizar no projeto, mas vários avanços já foram conquistados. Segundo ela, mais de 20 ações foram desenvolvidas tanto na capital como no interior, envolvendo parcerias com diversas instituições.
"A ideia é dialogar com a população jovem e minimizar esse abismo que existe entre o tribunal formal e o tribunal cidadão. Nós temos as manifestações artísticas que as pessoas gostam de participar, como o forró, o repente, os corais, a grafitagem, a dança, tudo com o nicho voltado para o direito eleitoral. Foi uma concepção de que o discurso formal está antiquado, então achamos uma forma de viabilizar uma mensagem positiva", finalizou.
Confira um trecho do forró de autoria do desembargador:
Por uns trocados, meu voto eu vendi
Mas fui enganado e me arrependi
Por uns trocados, meu voto eu vendi
Mas fui enganado e me arrependi
Vendi meu voto, e dignidade
Desprezei meu povo, e minha cidade
Recebi dinheiro, tijolo massará
E hoje, envergonhado, só me resta chorar
Troquei por doutor e por hospital
Troquei até por dentadura
E, quando adoeci, me dei muito mal
Recebi, por fim, até sepultura

Fonte: G1