sábado, 28 de novembro de 2015

Fornecedores da Abengoa contratam advogado para evitar calote milionário

Os fornecedores que prestavam serviços desde maio deste ano para a empresa espanhola Abengoa, com filial em Barreiras, preocupados com o possível fechamento da multinacional, estiveram reunidos na manhã de hoje, 28, no Palácio das Artes, centro da cidade, para discutir a situação de cada um. Na oportunidade os fornecedores contrataram André Rodrigues Costa Oliveira, renomado advogado com intensa atuação em Brasília e em outras unidades da federação, no intuito de evitar um calote milionário contra os prestadores de serviços de Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia.
Segundo o causídico, ele foi contratado para fazer um diagnóstico sobre a situação da Abengoa em Barreiras, que possuí inúmeros fornecedores na cidade e região e que encontram-se extremamente inseguros com a situação financeira da multinacional e com a inadimplência no pagamento dos contratos, fato que ocorre há vários meses.

“Nosso primeiro objetivo é buscar uma solução junto à empresa, caso não seja possível, entraremos por meio da esfera da salva guarda do Poder Judiciário, para que nossos clientes possam receber imediatamente o que têm direito para que possam honrar com seus compromissos financeiros e concomitantemente garantir a estabilidade dos empregos de seus funcionários”, informou o advogado.
Para ele, uma instabilidade econômica dessa natureza deve ser coibida de imediato, uma vez que ela pode criar uma desestruturação do mercado macro e micro econômico da região. “É fundamental atuarmos com celeridade para que o impacto seja o menor possível. É inadmissível o inadimplemento da empresa para com os fornecedores que geram empregos, pagam seus impostos e trabalham duro para manterem suas empresas”, concluiu André Rodrigues.

Os setores atingidos pelo fechamento momentâneo da Abengoa em Barreiras são os mais variados, desde hotéis, pousadas, restaurantes, proprietários de vans e microônibus, lavanderias, setores de auto peças, oficinas mecânicas e elétricas, além do quadro funcional que foi demitido, inclusive, segundo relatos de muitos funcionários, sem sequer que fosse depositado o FGTS a que têm direito. Dados do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial da Bahia (Sintepav), aproximadamente 1.500 funcionários foram dispensados no último dia 26. Antes disso, outros 500 funcionários já haviam sidos demitidos.
De acordo com informações divulgada na revista Exame, a Abengoa entrou no último dia 25, com um pedido preliminar de proteção contra credores, um passo inicial que pode levar ao maior caso de falência da história da Espanha.
A reportagem da revista, reproduzido a seguir, o caso da Abengoa é um exemplo extremo de uma companhia espanhola que cresceu impulsionada no endividamento, durante os anos de boom econômico do país, mas agora enfrenta dificuldades para avançar. A empresa é uma das maiores construtoras do mundo de linhas de transmissão que transportam energia pela América Latina e também importante no setor de engenharia e construção, com grandes usinas de energia renovável em lugares que vão do Kansas ao Reino Unido.
A mais recente rodada de negociações da Abengoa com seus credores começou após a companhia de investimentos espanhola Gonvarri Corporación Financiera cancelar um plano de injetar cerca de 350 milhões de euros (US$ 375,85 milhões) na empresa sediada em Sevilha, disse a Abengoa na documentação regulatória entregue nesta quarta-feira. “A companhia continuará as negociações com os credores, com o objetivo de chegar a um acordo para garantir sua viabilidade financeira”, afirmou a companhia.
As ações do Abengoa chegaram a cair até 70% nesta quarta-feira. Perto do fechamento da Bolsa de Madri, o papel recuava 49,78%. A notícia também atinge as ações de bancos espanhóis, que estão entre os credores da Abengoa.
A Abengoa, cujo valor de mercado caiu para 300 milhões de euros nesta quarta-feira, registrou endividamento financeiro bruto de 8,9 bilhões de euros no terceiro trimestre. A Abengoa tem agora até quatro meses para negociar com os credores. Pela lei espanhola, enquanto isso os credores não poderão forçar a falência da companhia. 
Fonte: Dow Jones Newswires.