segunda-feira, 7 de março de 2016

Seca no sul do Piauí provoca quebra de 70% na produção de soja

As primeiras áreas de soja colhidas na Serra da Fortaleza têm rendimento de 5 a 12 sacas/hectare, com perdas de 80%

Mesmo que continue chovendo nas próximas semanas, as perdas nas lavouras de soja de Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, deverão passar dos 70 por cento. De acordo com a Associação de Produtores da Serra da Fortaleza (APROFORT), as primeiras áreas colhidas estão apresentando rendimento de 300 a 700 kg/ha, quando o normal seriam 2.700 kg/ha.

“Estou achando que a perda nas lavouras está chegando a 70 por cento ou mais”, conta o paranaense Fábio Michelan, um dos agricultores pioneiros na Serra da Fortaleza. Já para o seu irmão, Almir Michelan, a quebra na safra 2015/2016 já chega a 80 por cento. “Estamos colhendo de 5 a 12 sacas por hectare. O normal seria a gente colher 45 sacas por hectare”.
Além da baixa produtividade, a produção colhida é de péssima qualidade, já que há vagens com grãos que não encheram

Mesmo que volte a chover em março, as perdas com a soja já somam um prejuízo estimado em mais de R$ 200 milhões
Em números, as perdas de 70% (setenta por cento) já somam um prejuízo de cerca de R$ 200 milhões somente na região de Santa Filomena, considerando a cotação de R$ 65,00 por saca de 60 quilos de soja (Balsas, 04/03/2016) e uma área estimada em 100.000 hectares. 

E olha que a maioria das empresas rurais e dos produtores individuais tiveram que plantar até três vezes em uma mesma área (final de novembro, meados de dezembro e durante todo o mês de janeiro). Eles apostaram todas as suas economias, e estão perdendo quase tudo.

A quebra na produção agrícola devido à falta de chuvas deve afetar toda a cadeia produtiva. Teremos impacto no PIB do Piauí e, por conseguinte, a diminuição no retorno do ICMS. Além disso, milhares de empregos estão em situação de risco, o que afetará a economia da cidade.Se chover nos próximos dias, como ocorreu no último sábado (05/03), pode-se estagnar o quadro de perdas. Mas se continuar sem chuvas em março, as perdas na soja serão totais.

Diante do atual quadro, que já não é mais de estiagem e sim de SECA, os agricultores e as empresas rurais estabelecidas no município de Santa Filomena aguardam ansiosamente que o prefeito Esdras Avelino Filho (PTB) decrete, sem demora, Estado de Calamidade Pública

Conforme o produtor Amarildo dos Santos, ex-presidente da APROFORT e um dos legítimos representantes do agronegócio em Santa Filomena, é necessário que o Executivo Municipal busque soluções junto aos governos Estadual e Federal, objetivando melhorar a situação e garantir 03 (três) pontos fundamentais: renda (empregos), seguro e repactuação de dívidas.

Fonte:GP1