terça-feira, 26 de abril de 2016

Jogadores são ‘resgatados’ em condição análoga à escravidão no Piauí

O Caiçara está sendo acusado de ter mantido alguns atletas em condição análogas à escravidão durante o Estadual. O time foi rebaixado, no último sábado (23), à Segunda Divisão do Campeonato Piauiense. A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF) precisou intervir e ‘resgatar’ pelo menos nove jogadores. Todos com salários atrasados, com condições ruins de trabalho e sofrendo com a falta de produtos para higiene básica para o dia-a-dia. Os jogadores foram encaminhados para as suas cidades de origem.

“Estou muito angustiado com o que se passa com os atletas do Piauí, apesar de termos um Sindicato local bastante atuante. Conversei com o presidente Vasconcelos que garantiu levar o assunto ao Ministério Público Federal do Trabalho diante da gravidade do problema gerado à coletividade de trabalhadores”, disse o presidente da FENAPAF, Felipe Augusto Leite.
 “É inadmissível que tenhamos clubes de futebol no Brasil que ainda desrespeitam o básico da legislação trabalhista. Repudiamos o fato e não admitimos mais que se conceda licença para um clube que se diz empregador, sem garantir as mínimas condições de trabalho, saúde e segurança ao atleta”, completou o dirigente.

O Caiçara é, certamente, um dos clubes mais desorganizados do futebol brasileiro. Em meio a falta de alimentação e condições de trabalho aos jogadores, o clube vive uma briga política nos bastidores. A diretoria do ex-presidente Francisco Ispo foi destituída por irregularidades nas eleições. Só que agora tenta na Justiça Comum o retorno ao comando, e também tenta anular o descenso do Estadual alegando que os problemas extracampo influenciaram no desempenho dentro de campo.
 No último sábado, após a debandada dos jogadores, o clube ficou sem número mínimo de atletas para atuar diante do River. Perdeu por W.O, o que culminou em seu rebaixamento à Segundona de 2017.
“Precisamos criar mecanismos para frear esses abusos. Caçar o direito de disputar competições à clubes irresponsáveis é uma proposição que será posta em debate pela FENAPAF”, concluiu o presidente da FENAPAF.





Com informações do site Futebol Interior