segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Barraginhas do Nuperade em Gilbués indicam caminhos na melhoria da agricultura na região

Barraginha do Nuperade em Gilbués

Entendendo o Sistema Barraginhas
As barraginhas são pequenas bacias escavadas em formato de prato ou meia lua, com diâmetro médio de 16 m e profundidade média de 1,8 m (Fig. 1).

Elas são construídas dispersas nas pastagens e lavouras, uma para cada volume significativo de enxurrada que pode se formar, de acordo com a conformação e topografia da paisagem.

O produtor é quem sabe onde estão localizadas as enxurradas em seu terreno. Então, é ele quem precisa entender o sistema barraginhas, para poder auxiliar o técnico e o operador da máquina a localizar os pontos para sua construção (BARROS; RIBEIRO, 2009). Com isso, ele torna-se um difusor da tecnologia.

As barraginhas em uma propriedade devem ser construídas gradativamente. O ideal é construir aproximadamente um terço do potencial da propriedade no primeiro ano, outro no segundo e o último terço no terceiro ano. Assim, o produtor vai aprendendo como o sistema funciona e aumenta sua motivação à medida que vê os resultados a cada ciclo de chuva.

Para a construção de cada barraginha gasta-se, em média, uma hora em solo macio e úmido, e uma hora e meia em solo firme e seco, ao custo de R$ 120,00 a R$ 180,00 (em média US$ 75,00) por barraginha, dependendo da região.

As máquinas mais adequadas à construção de barraginhas são a pá-carregadeira e a retroescavadeira. Os operadores devem ser treinados pela equipe da Embrapa Milho e Sorgo ou pela rede de disseminadores treinados e espalhados por todas as regiões do país.

As barraginhas não deve ser construídas em cursos d’água perenes, nas áreas de proteção permanente (APPs), no interior de voçorocas e grotas em “V” com barrancos profundo e em terrenos com inclinação superior a 12%.

Em solos arenosos, o tamanho da barraginha deve ser aumentado para até 20 m, para evitar transbordamento, que poderia resultar no rompimento do aterro.

Deve-se evitar a construção de barraginhas nos meses mais secos do ano, pois a umidade residual das chuvas é importante para uma melhor qualidade de compactação do aterro.

Mais detalhes sobre o Sistema Barraginhas podem ser encontrados na publicação ABC da agricultura familiar, nº 21 – Barraginhas: Água de chuva para todos (BARROS; RIBEIRO, 2009).
Figura 1. Barraginha em construção utilizando pá-carregadeira (a) ou retroescavadeira(b)