terça-feira, 27 de março de 2018

PI: com estradas intrafegáveis, produtores não têm como escoar produção


As chuvas intensas animam os produtores do cerrado piauiense, mas um grave problema se traduz em prejuízo na colheita: as estradas de piçarra estão destruídas e impossibilitam o trânsito dos caminhões.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), Altair Fianco, afirma que o prejuízo ainda não pode ser calculado, mas aumenta a cada dia. "O governo não recuperou as estradas de piçarra na época certa, que era no tempo seco. Agora estamos no pico da colheita e há inúmeros trechos críticos por onde o caminhão não passa. Isso compromete muito o escoamento da produção", explicou.
Fianco acrescenta que da semana passada até hoje as chuvas estão mais intensas e praticamente contínuas. "Tem municípios, como Santa Filomena e Currais, onde os produtores não estão conseguindo tirar a produção porque os caminhões não transitam. Dessa forma, pelo tempo que passa sem escoar, o produto perde qualidade, perde volume e gera um prejuízo muito grande", reforça.
Na tarde de ontem, um vídeo do diretor excutivo da Aprosoja, Rafael Maschio, denunciou a péssima ituação da Transcerrados (PI-397) e da PI-392 (que liga as cidades de Bom Jesus a Barra Grande do Ribeiro). Segundo ele, a safra de grãos já ultrapassa 3 milhões e 500 mil  toneladas.
No cerrado do Piauí há muitos trechos de intrafegabilidade, pontos de atoleiro onde caminhões de carga que transportam a produção agrícola só passam a reboque de trator. Transportadores de grãos não querem atuar na região devido as condições precárias da rodovia. Os custos de frete são muito elevados e em alguns casos extremos até inviabilizam o escoamento da produção agrícola dos cerrados. O que conseguimos colher não sai das fazendas, pois não entra caminhão porque não tem estrada", disse Rafael Maschio.
Através do vídeo, o produtor denunciou o problema da energia que também compromete a safra. "Os produtores todos colhendo a soja, precisando de óleo diesel para secar a soja porque no Sul do Piauí não tem energia...o caminhão que traz óleo pra nós não sobe a serra porque não tem estrada", complementa Maschio. 
Diante disso, os produtores pedem medidas imediatas (intervenção emergencial), especialmente em três trechos:
1. Segundo e Terceiro trechos da PI-397 (Transcerrado), extensão de aproximadamente 220 km, sendo 30 km de pontos de “atoleiros” (intrafegáveis) já levantados pelo DER-PI;
2. Extremos Leste e Oeste da PI-392, com aproximadamente 50 km cada (total de 100 km). Leste: Currais-PI ao entroncamento da PI-397 (Transcerrado), via Serra da Laranjeira (Bunge Laranjeira). Oeste: Baixa Grande do Ribeiro-PI à Bunge Serra Grande, via Serra Grande;
3. Rodovia Vicinal da Serra da Fortaleza, com aproximadamente 110 km de extensão, ligando Santa Filomena-PI à margem do Rio Parnaíba (Tasso Fragoso-MA).
Nesta terça-feira (26), a Federação da Agricultura e Pecuária do Piauí cobrou ao Governo do Estado a execução das obras nas estradas que teria fonte nos empréstimos junto à Caixa Econômica Federal.
Por meio de nota, a Secretaria do Estado de Transportes (Setrans) informou que os serviços PI-397 correspondem a segunda etapa da obra que já está licitada, mas aguarda recursos. Sobre os outros trechos da rodovia estadual, de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), não houve resposta.
Fonte: CidadeVerde